Podcast #06 — Sobre a autoficção

Desde os anos 70 o termo autoficção tem aparecido quando discutimos gêneros literários. Porém, nos últimos anos temos ouvido o termo mais do que nunca a ponto de livros de escritores iniciantes já serem publicados com o "crivo" da autoficção.

Por

Nos reunimos para discutir esse tema e o que isso significa para a literatura, o que esperar dessas obras e o que essa nova nomenclatura afeta a maneira como interagimos com uma obra quanto leitores. Você pode ouvir a conversa aqui:

Muitos acreditam que a autoficção seja o posicionamento definitivo ou um aperfeiçoamento dos desgastados “escritos do eu”, recriada de maneira a subverter os próprios modelos e o lugar do autor na sua obra, figurando agora como peça central de toda e qualquer ação, ficcional ou não; ou que o relativamente novo gênero literário, que ascendeu ao posto de queridinho do mercado editorial nos últimos anos, seja mero modismo e casualidade, um reflexo breve do nosso tempo.

Mas, afinal, o que realmente importa num texto autoficcional? Como deveríamos lidar com uma literatura que entrega autobiografia e ficção em proporções desiguais, jamais convencionadas e, por isso, impossível de um mapeamento lógico?

Colocar "contra a parede" o termo autoficção da forma como esse é utilizado pelo literato e como nomenclatura qualitativa para os romances que se apresentam no nosso círculo de lançamentos (e consequentemente de leituras) é, finalmente, uma maneira de olhar criticamente para o termo e os efeitos do nome sobre o leitor comum (que é o que somos).

É inevitável, portanto, que a avaliação acerca da autoficção também toque aspectos biográficos do autor, que pode se ressentir de uma avaliação qualquer e venha, por ventura, a público revelar o elemento biográfico e o ficcional que circundam sua obra para esclarecimento geral da nação, divagando sobre seus próprios limites autoficcionais. Caso de Julian Fúks com seu romance mais recente, A Resistência.

Da mesma forma, a “narrativa do eu” que se estabelece nesse limbo em que não se deve compactuar com o convencionalmente estabelecido, soa longínqua demais de uma abertura ao diálogo ou reflexão acerca da obra, destoando da transparência proposta pelo exercício da própria crítica literária, por exemplo, pactuando com o obscurantismo dos desejos autorais e editoriais em toda a sua estrutura, sabemos, degradada.

A autoficção é uma presença consolidada e pode vir a ser uma experiência cada vez mais profunda literária e mercadologicamente. Não há limites para o “eu” e, bom, toda tendência costuma ser explorada até o último fio de cabelo, certo? Portanto, deixamos nosso manifesto acerca do uso da autoficção como escudo anticrítica e/ou a imposição do “eu” sobre outrem.

E vocês, o que pensam da autoficção?

Sobre o termo e seu impacto na literatura:

Cansados do eu? A autoficção mostra sinais de fadiga | El País

Autoficção, no limiar da biografia e da invenção, com Michel Laub e Manuel da Costa Pinto | Instituto CPFL

Proseando: Autoficção, um novo conceito de literatura | Homo Literatus

Literaturas: Autoficção na Literatura Brasileira Contemporânea | SESC em Minas Gerais

Superando a autoficção | O Globo

Gênero da autoficção vira tendência na literatura contemporânea | Correio Braziliense

The novel is dead (this time it's for real) | The Guardian

Recomendações:

O Poderoso Resumão

· Blog
· Instagram
· Twitter
· Facebook

Rede de Intrigas

· Blog
· Medium
· Instagram
· Facebook

Para falar com a gente, enviar sugestões, reclamações ou desabafar as derrotas que a vida te proporciona, mande um e-mail para redepoderosadeintrigas@gmail.com