Podcast #07 — A Revolução dos Bichos, de George Orwell, ou estamos esgotados e putos

Orwell foi um grande opositor aos regimes totalitários em todas as suas formas — fossem eles de esquerda ou de direita — e uma das vozes mais consistentes de seu tempo contra o autoritarismo. À época de sua publicação, A Revolução dos Bichos foi censurado tanto nos Estados Unidos quanto na União Soviética, além de outros países.

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A obra, que mistura estilos e varia entre a fábula e a metáfora, foi constituída como uma alegoria sobre o totalitarismo soviético, constituindo o período que vai da Revolução Russa até o fim da Segunda Guerra Mundial, mostrando os efeitos do governo stalinista. Aliás, antes que o livro sofra censura novamente, você pode ouvir o podcast completo aqui:

A obra nos leva à Granja do Solar cujo dono, Sr. Jones, enfrenta dívidas e a Granja é sua única fonte de renda.

Na Granja, os animais vivem um ambiente controlado, cada um com sua responsabilidade, porém insatisfeitos em relação ao que recebem da produção.

Major é um porco idoso que está à beira da morte. Respeitado pelos outros animais, ele os chama para contar um sonho que teve, um desejo do que espera que aconteça aos animais quando ele morrer. Seu sonho é profético: os animais tomariam a fazenda, expulsariam o até então dono, Sr. Jones, e passariam a viver livres da dominação humana, criando suas próprias regras.

Nasce aqui o que se tornaria o animalismo, apresentado por 7 mandamentos basilares que deveriam tornar a convivência dos animais próspera e igualitária:

  1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas, é inimigo.
  2. O que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
  3. Nenhum animal usará roupa.
  4. Nenhum animal dormirá em cama.
  5. Nenhum animal beberá álcool.
  6. Nenhum animal matará outro animal.
  7. Todos os animais são iguais.

Napoleão e Bola de Neve são os dois porcos que assumem o controle e reorganizam a Granja de maneira que cada animal trabalhe dentro do seu potencial. Não demora muito e os problemas começam a aparecer. Poucos conseguem ser alfabetizados, os trabalhos não parecem estar bem divididos, a comida começa a rarear e os frutos do trabalho parecem ficar todos do lado dos porcos, os grandes mentores da revolução.

Napoleão, um porco mais autoritário e centralizador, consegue incriminar e exilar Bola de Neve, que cultivava ideias mais democráticas e expansivas. Enquanto isso, Garganta é incumbido de divulgar os dados do novo Governo, guiando as decisões dos animais para a acreditarem na onipotência de seu novo líder. Com o tempo, concessões são garantidas para que o Governo consiga manter o controle; os mandamentos são constantemente adequados aos privilégios dos porcos, alianças com os inimigos humanos precisam ser feitas e até o corvo Moisés volta à Granja, agora com a incumbência de reproduzir o mesmo discurso que o fizera ser expulso: a crença da recompensa no fim do arco-íris, o céu dos bichos, topo da montanha…

A obra segue a cronologia da Revolução Russa e seus desdobramentos, e os personagens principais são representações dos principais nomes e instituições da época:

  • Major: Lênin
  • Napoleão: Stálin
  • Bola de neve: Trótski
  • Garganta: Imprensa
  • Moisés: Igreja
  • Frederick: Hitler
  • Pilkington: Churchill

Apesar da alegoria evidente com a formação da URSS e a construção da imagem autoritária de Stálin, Orwell escreve um libelo à democracia ao recriar a história soviética de maneira a escancarar os diversos problemas de regimes totalitários, sua hipocrisia e, em última instância, a corrupção generalizada que a concentração de poder leva. O paralelo com o momento do Brasil é inevitável.

Sobre “A Revolução dos Bichos”:

Sobre governos autoritários e sectários:

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